quinta-feira, 13 de agosto de 2009

RESENHA DO LIVRO: O METROSSEXUAL: UM GUIA DE ESTILO


FLOCKER, Michael. O metrossexual: guia de estilo: um manual para o homem moderno; tradução: Santiago Nazarian. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004.








Atualmente a problematização sobre gênero encontra-se em expansão e a questão da masculinidade (s) e possibilidades(s) de ser homem, tornou-se um dos focos de atenção nas discussões acadêmicas. Assim, surge o termo metrossexual, criado pelo jornalista Mark Simpson e mais recentemente o livro, Metrossexual: um guia de estilo para o homem moderno, escrito por Michael Flocker, comentarista e observador social, que trabalhou no mundo da moda, filmes, televisão e roteiros de viagens; escritor de livros sobre temas como: estilo, lazer e a obsessão por celebridades.
Tal livro constitui-se como um guia de descrição, estilo e comportamentos para os homens que pretendem conhecer e atualizarem-se na nova era apontada pelo autor, como a do homem metrossexual. Foi traduzido para o português por Santiago Nazarian pela editora, Planeta do Brasil, em 2004, do original, The metrosexual: guide to style: a handbook for the modern man – um dos livros mais vendidos nos Estados Unidos
Assim, a página inicial traz para o leitor a definição do termo metrossexual a fim de que este possa inteirar-se do conteúdo que se segue. Além disso, todos os onze capítulos do livro trazem na folha de rosto uma frase de algum personagem famoso - relacionado com o tema a ser apresentado em seguida -, também dicas, listas e/ou lembretes, tanto do que deverá ser seguido, quanto do que deverá ser rejeitado (denominado pelo autor como sim e não) além de uma conclusão ao final, como forma de fixação daquilo que foi exposto.
A introdução remete-nos a uma quebra da imagem do modelo hegemônico masculino através da frase do ator americano, Arnold Schwarzenegger – considerado um dos ícones da masculinidade -, o qual se autodenomina como rainha dos sapatos (item de preocupação feminina); entrementes, o autor mostra dessa maneira como os homens estão sintonizados com a masculinidade da época atual, trazendo o homem-pavão à tona; esclarece de forma sintetizada a descrição do ideal masculino e a redefinição deste ao longo da história, concernente aos trajes e adereços nas classes abastadas e menos favorecidas, remonta desde os tempos dos faraós até o século vinte e um, momento da nova criação de tal masculinidade; voltada principalmente para a sofisticação dos gostos, estilos e do conhecimento que os homens começam a ter de si mesmos. Também explicita a origem do termo metrossexual e a repercussão do mesmo na mídia americana. Finaliza assim o capítulo de modo irreverente, esperando que a leitura possa trazer uma atualização sobre esse novo homem e suas cuecas.
O capítulo seguinte descreve a etiqueta geral e algumas gafes cometidas por pessoas famosas que ficaram na história. Para que o leitor não possa cometer as mesmas gafes, o autor, Michael Flocker, ilustra como o leitor deverá se portar nas festas formais, maneiras à mesa e em coquetéis, como lidar com beijo no rosto, gorjetas e como ser um cavalheiro exemplar. Não somente isso, mas também etiqueta nas viagens, os dez melhores destinos dos metrossexuais e o porquê da escolha desses destinos, com suas vantagens e particularidades, além de expressões a serem conhecidas em qualquer idioma.
Nos outros capítulos, o autor faz um detalhamento das ocasiões supracitadas e orienta com estilo o homem moderno. Com relação aos vinhos e coquetéis, cita as três categorias básicas dos vinhos, os tipos de vinhos brancos e tintos mais comuns, o cardápio para acompanhamento e a maneira correta de pedi-los, para não cometer erros. Referente aos coquetéis, o autor lista os tipos de uísques, bourbons, martinís, gins, vodcas, os drinques mais comuns e as mensagens que cada um deles transmite em sua escolha. Contudo, guia o comportamento no jantar fora, indicando como fazer as reservas, escolhas de molhos, dirigir-se ao garçom e um glossário de pratos italianos e franceses a fim nortear aqueles que temem ler um cardápio escrito em outra língua para que possam fazer a opção correta; de igual maneira lista o comportamento em um jantar em casa e os ingredientes a serem utilizados na cozinha para tal situação.
Além de comportamentos, Flocker acrescenta à lista, conhecimentos que considera importantes para um metrossexual, como por exemplo, a arte. Para tanto, inicia definindo o que é arte e descontrai o leitor informando-o não precisa ser um estudioso para contemplar a arte, mas que é importante entender um pouco dela para que esta torne-se interessante. Assim, traz um resumo das eras da arte (pintura e escultura - de maneira simples), suas influências e seus principais representantes, bem como suas biografias escrita de modo pormenorizado. Ressalta ainda que tais conhecimentos inspirarão o leitor a expandir a habilidade e criatividade, sem que necessariamente deva produzir uma obra de arte, mas que tenha como objetivo o desenvolvimento do potencial e horizontes. Soma-se a isso tudo, conhecimento em outras áreas como músicas, livros e filmes, pois segundo o autor a variedade destes, pode influenciar consideravelmente a interpretação individual e manter o metrossexual informado e apto para conversas no dia a dia.

No tocante à música, desestimula o leitor a apegar-se a modismos, pois isso permitirá experimentar novos estilos musicais e acrescenta uma lista de quinze discos que devem ser adquiridos; de igual maneira lista quinze filmes que devem fazer parte da coleção do metrossexual, os ícones e os quinze livros de cabeceira.
O autor privilegia três capítulos sobre os cuidados e prioridades, quanto ao corpo e à moda – preocupações de suma importância do homem metrossexual. O primeiro deles diz respeito à moda, funções da mesma, preocupações que o homem deve ter com relação aos acessórios da masculinidade como sapatos, relógios e cintos, o que segundo ele, dizem muito sobre os homens. Informa assim o jeito certo de fazer as combinações, aquilo que não deve ser pensado em fazer, cores e suas mensagens subliminares, além de uma lista com as dez peças consideradas essenciais num guarda-roupa do metrossexual; destaca ainda as principais grifes e suas especialidades; os tipos de sapatos e a ocasião correta para usá-los.

Quanto ao trato no visual, esclarece a diferença entre a vaidade excessiva e a razoável, pois esta última indica auto-respeito e autoconhecimento; sendo assim, esclarece aos leitores a respeito da infinidade de produtos disponíveis para a modelação de cortes e/ou penteados e ainda oferece dez dicas de como deixar o cabelo melhor; revela ainda que grande parte dos homem esquece dos cuidados com a pele, indicando os passos para a rotina diária, faz referencia ao bronzeado e melhores opções de produtos de beleza para a mesma. Refere-se também a outras partes que merecem cuidados especiais, tais como mãos e pés, olhos – evitar as bolsas-, barba e bigode, sobrancelhas, nariz, partes íntimas e etc. Finalmente quanto ao corpo, inicia explicando que o tipo físico malhado e musculoso, foi substituído por um corpo magro, mas definido e para tanto, aponta as três áreas que merecem atenção especial, além de exercícios que podem auxiliar na definição e manutenção desse tipo físico, principalmente nas partes citadas; entretanto, indica outras formas de cuidados com o corpo e suas variedades como massagens e os exercícios internos, como importantes formas de alcançar a paz e tranqüilidade no atual mundo agitado.
Nos três últimos capítulos, o autor atenta para as questões: sexo e romance, no qual declara serem importantes para o metrossexual, boas e más atitudes nas paqueras, encontros, paqueras, sedução e na sua própria sexualidade (incluindo preocupações com os órgãos genitais) e a observação das reações das parceiras sexuais durante o ato sexual; nesse tocante o autor faz uma indicação quanto à diversidade e possibilidades sexuais e de flertes, tanto como mulheres, quanto com homens -, a que o metrossexual tem à sua disposição. Entretanto, o discurso é totalmente voltado para a masculinidade heterossexual, visivelmente presente nas indicações dos encontros, paqueras e sexo, pois este não faz nenhum tipo de referência com relação a contatos e preocupações homo e/ou bissexuais. Acusa ainda a necessidade de atentar para os cuidados com a casa, pois esta também reflete o estilo do metrossexual; por isso, indica estilos para a mobília, paredes, iluminação, toques para utilizar bem o espaço e a maneira de efetuar a limpeza.

Finalmente no último capítulo, incorporando o metrossexual, define as atitudes do metrossexual como otimista e realista com a variedade de escolhas; sempre buscando as melhores opções disponíveis; além do humor e suas regras, mente aberta para as situações/estilos de vida diferentes, precavendo-se dos preconceitos; também a confiança em si mesmo (atitude valorizada por Flocker), e reconhecimento dos seus pontos fortes e fracos. Mais do que guiar, o autor finaliza com uma mensagem de encorajamento para tomar as decisões corretas na vida e que as decisões erradas tomadas pelo metrossexual – e nesse ponto volta seu discurso também para o leitor -, e independente do passado e obstáculos, a opção por uma melhor qualidade de vida depende da atitude do sujeito.
O livro em questão não possui um cunho científico, sendo assim de fácil entendimento; pode ser considerado um guia de bolso - com uma pincelada de auto-ajuda -, para ser constantemente pesquisado por aqueles que desejam melhor conhecer o perfil desse novo homem, definição e desejos, seu jeito de ser/viver para torná-lo um nicho de mercado a ser conquistado ou quiçá segui-lo. O autor se utiliza de uma linguagem divertida e descontraída, com muito bom humor - aspecto anteriormente apontado como integrante da atitude do metrossexual. Consegue de modo simples, orientar o leitor através de dicas sobre os comportamentos do homem metrossexual e amplia o conceito do termo, não somente voltado para a aparência física e moda, mas também a importância de adquirir conhecimentos sobre arte, música, cinema, etc, como parte integrante daqueles que adotaram o estilo metrossexual e para aqueles que desejam fazê-lo.

REFERÊNCIAS:




FLOCKER, Michael. O metrossexual: guia de estilo: um manual para o homem moderno; tradução: Santiago Nazarian. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004.

Um comentário:

  1. Muito bom a resenha do livro
    estou procurando para comprar mais não encontro
    como faço?
    At.
    Vinicius Martins

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